“Tem mais negros no crime”, diz deputado Daniel Silveira em fala racista

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) defendeu, em discurso na Câmara dos Deputados nesta terça-feira 19, a destruição de um quadro que integrava uma exposição sobre o genocídio da população negra, em um corredor do Congresso Nacional.

O quadro foi vandalizado pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP). A obra violada trazia dados sobre a violência do Estado contra negros e negras e tinha uma charge do cartunista Carlos Latuff, em que um jovem negro aparece algemado e morto e um policial caminha ao fundo. A exposição foi inaugurada em data próxima ao Dia da Consciência Negra, na quarta-feira 20.

Silveira afirmou que a charge é falaciosa e que é uma “grande mentira” que “o negro morre por ser negro”. O parlamentar justificou que mais negros morrem por ações policiais porque há mais negros que cometem crimes.

“É evidente que mais negros morrem. Eu tive o prazer e o desprazer de operar, em todas as favelas do Estado do Rio de Janeiro. Tem mais negros com arma, tem mais negros cometendo crime, mais negros confrontando a polícia, mais negros morrem”, declarou.

“A maior população carcerária é formada por negros no Brasil, é porque mais negros cometem crime. E vão dizer mais uma vez: ‘Eu não tive oportunidade na sociedade’. Não quis estudar. Preferiu furtar”, disse. “Não venha atribuir à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro as mortes, porque o negrozinho bandidinho tem que ser perdoado. E falo do branco também. Se ele comete um crime, que também seja neutralizado se tiver que ser. Vai querer ficar vendendo o discurso de que não pode matar? Claro que pode matar.”

Segundo o Atlas da Violência 2019, divulgado em junho pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), o número de homicídios de negros (pretos e pardos) cresceu 33% entre 2007 e 2017. O estudo apontou recorde na proporção de mortes de pessoas negras: das 65,6 mil vítimas de homicídios ocorridos em 2017, 75,5% eram negras. Em números concretos, 49,5 mil eram negras e 16 mil não negras.