‘Distância, neste Dia das Mães, é um gesto de amor’, pede Nésio Fernandes

ES pode ter 250 mortos em uma semana. ‘O colapso ou não depende da cidadania e consciência de cada um’, apela secretário

Apresentando-se como trabalhador do Sistema Único de Saúde (SUS) e médico sanitarista, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, fez um pronunciamento nesta sexta-feira (8) com um forte apelo pela manutenção do distanciamento social no Dia das Mães, a ser comemorado neste domingo (10). “Distância, nesse Dia das Mães, é um gesto de amor”, rogou, ao lado do subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin. Antes de abrir a coletiva com a imprensa, o secretário leu um trecho da Bíblia (Eclesiastes-7) e pediu alguns instantes de silêncio pelas pessoas que morreram no Espírito Santo e no Brasil, vítimas da Covid-19 nesta semana (9.256 e 157, respectivamente, no total, segundo número de quinta-feira (7). “O Brasil e o Espírito Santo são uma casa em luto”, afirmou, em referência aos versos da Bíblia.

Segundo dados oficiais dessa quinta, o Brasil já registrou 9.256 mortes e o Espírito Santo, 157, estando ainda 21 em fase final de investigação. Até o final da próxima semana, conjecturou Reblin, “vamos nos aproximar de 250, algo muito significativo pra todos nós”.

“Não é hora de fazer encontros com amigos e familiares, não é hora do calçadão, não é hora de ter qualquer atitude a não ser ficar em casa e manter o distanciamento social”, afirmou Nésio Fernandes. “Podemos ter decretos e portarias fechando todas as atividades sociais. Mas se as pessoas não entenderem, não colaborarem, isso não vai corresponder à realidade”. 
“O distanciamento social não se resume a ter uma atividade econômica fechada ou aberta. É uma atitude individual das pessoas e das famílias”, conclamou. “Um Dia das Mães feliz, diferente, com todos vivos!”, pediu. “Com alto grau de coesão, nós venceremos!”, exclamou.

Sobre a possibilidade de lockdown (determinação de confinamento total das pessoas e fechamento de todo o comércio, indústria e atividades sociais), Nésio disse que, considerando a preparação da rede de saúde estadual feita pelo governo do Estado desde o final de janeiro, o que vai garantir se o Espírito Santo precisará adotar ou não essa medida extrema é a atitude individual de cada cidadão. “O que vai garantir se teremos lockdown ou não é a cidadania, a consciência das pessoas, não os decretos do governador ou dos prefeitos”, asseverou.

Cerca de 65% a 70% da população apoia as medidas tomadas pelo governo do Estado, disse Nesio Fernandes. “Esse fenômeno no Espírito Santo, que surgiu a partir da liderança de Renato Casagrande, nos protegeu”, afirmou, citando números que mostram o fortalecimento robusto da rede hospitalar capixaba.

Dia 31 de março, o Estado tinha 77 leitos para coronavírus. No dia sete de abril, 199 leitos, no dia 30, 549, e desde o dia seis de maio, 752 leitos, sendo 375 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A taxa de ocupação média no Espírito Santo é de 64% dos leitos de UTI e 36% na enfermaria. “Nós não temos problemas com leitos de enfermaria”, afirmou. E na UTI, tem sido possível “acompanhar a evolução da pandemia”.

Cinco hospitais de campanha

Essa expansão de leitos, comparou o secretário, equivale à construção de quatro ou cinco hospitais de campanha, que, por sua vez, são estruturas voltadas para atendimentos de baixa e média complexidade. 
“Em audiência com o ministro da saúde nesta semana, foi reafirmado que o desenho desses hospitais é de enfermaria. Infelizmente, os estados que optaram por eles tiveram que instalar também UTI. No Espírito Santo, como nós nos antecipamos desde fevereiro e vamos chegar a mais de mil leitos até o final do mês, disponibilizamos quatro ou cinco hospitais de campanha, em hospitais maduros”, explanou.

Nésio ressaltou ainda a qualidade e segurança do atendimento prestado nos hospitais capixabas, em relação a recursos humanos, instalações, medicamentos, equipamentos e logística -, segundo ele,  muito superior a qualquer hospital de campanha instalado de forma urgente nos estados que precisaram recorrer a esse recurso. “Volto a reafirmar: o que nós fizemos no Espírito Santo tem garantido a proporcionalidade entre a expansão dos leitos e o aumento do número de casos e garantido baixa letalidade e baixa permanência dos pacientes em leitos de UTI”.

Fila única

Mesmo baixa a letalidade, o fato é que há um aumento gradual do percentual de pacientes confirmados com Covid-19 que chegam a óbito, que ocorre simultaneamente ao avanço da pandemia sobre os bairros mais populares.

“Há neste momento uma expansão grande na periferia e a consolidação da letalidade nos lugares populares. Há um debate nacional pela fila única [unificar leitos privados e públicos para uma fila única no encaminhamento de pacientes de Covid-19]. Eu entendo que essa medida não é necessária no Espírito Santo. Nós conseguimos pactuar com a rede privada a expansão dos leitos, sem comprometer os planos de saúde e garantindo leitos para toda a população”, argumentou.

Leitos de campanha

Por sua vez, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) tem implementado, desde a semana passada, em uma estratégia de instalação de leitos de campanha, acoplados aos pronto-atendimentos, hospitais, setores de urgência e emergência e mesmo unidades de atenção básica, em todos os municípios, para atender a pacientes suspeitos de Covid. A medida já foi acordada na Serra e em Vitória.

Tratam-se de boxes individualizados para pacientes em observação, evitando que eles fiquem próximos de outros pacientes, evitando a “desorganização da rede” e o “bloqueio” de UTIs e outros setores de hospitais e unidades de saúde.

O documento que define a estratégia dos leitos de campanha foi feito há três semanas e a intenção, enfatizou o secretário, é que seja implementado em todos os municípios, em todos os hospitais, UPAs, PAs e unidades de atenção básica à saúde.

Nesse sentido, o subsecretário Reblin exaltou o sucesso da campanha de vacinação da Influenza – a segunda maior do Brasil – em que todas as cidades capixabas alcançaram a meta de vacinação do idoso. “Com isso, prevenimos o adoecimento pela influenza e retiramos essa carga do sistema de saúde”, explicou.

Maior transparência do Brasil

O secretário lembrou ainda que, nessa quinta-feira (7), o Espírito Santo alcançou a primeira posição no ranking da OKBR sobre transparência em Covid-19. “Optamos no Espírito Santo por ter a máxima transparência e com qualidade dos dados”, ratificou, explicando que o Painel Covid-19 disponibiliza, para a população, os dados que são inseridos pelas unidades de saúde de todo o Estado, com atualização diária por volta das 15h.

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