ES vai mudar regras para classificação de risco nas cidades e planeja mais restrições

O crescimento no número de casos, internações e óbitos causados pela covid-19 fará com que o governo do Espírito Santo mude regras para a classificação dos municípios no Mapa de Risco e deve anunciar mais restrições. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, e pelo subsecretário em Vigilância de Saúde, Luiz Carlos Reblin durante entrevista coletiva, realizada na manhã desta sexta-feira (12).

O secretário afirmou que o governo do estado desenvolveu um conjunto grande de debates correspondentes a adotar medidas necessárias para o enfrentamento do momento atual. Segundo ele, na nova matriz de risco, que será divulgada na tarde desta sexta-feira, pelo govenador Renato Casagrande, diversos municípios irão alcançar o risco alto e, praticamente, não haverá cidades em risco baixo.

Reblin explicou que as medidas mais extremas já estão previstas na estratégia do mapa de risco, “Se chegar um momento que a situação da saúde se torne mais difícil, as medidas, automaticamente, já entram em vigor. Desde quando adotamos a estratégia do mapa de risco elas já estão definidas e serão apenas ajustadas”, afirmou.

Nésio Fernandes lembrou que as medidas extremas podem ser aplicadas quando houver o gatilho de 90% de leitos de UTI ocupados. Ele ainda destacou que mais 40 leitos de UTI serão inaugurados na próxima semana no hospital Dório Silva. 

De acordo com o secretário, nas próximas semanas há a tendência de crescimento nos casos, internações e óbitos. Dependendo da evolução da doença, a possibilidade de medidas mais extremas não é descartada no Espírito Santo. “A previsão que nos leva a poder tomar medidas capazes de evitar que cheguemos a situação de colapso. O Espírito Santo não descarta a questão de medidas extremas pelo lockdown. Entendemos que a medida não pode ser tomada tardia e nem muito precoce. No momento oportuno, o governo não hesitará de tomar medidas ao momento crítico que vivemos. É preciso que toda sociedade se mobilize para que isso não ocorra”.

Na avaliação da pandemia no Espírito Santo, Nésio Fernandes disse que o estado vive uma nova fase de aceleração da curva de casos, internações e óbitos. Ele afirmou que vivemos uma semana epidemiológica com aumento significativo de óbitos. Segundo ele, “o governo do estado não hesitará medidas proporcionais capazes de responder ao aumento de casos no estado”. 

Sobre o colapso em estados vizinhos, ele afirmou que isso pode afetar a capacidade de internação no Espírito Santo, pois já foram identificados atendimentos na rede privada, devido aos planos de saúde. Segundo o secretário, há casos de pacientes do Nordeste, Norte e Sudeste. Para ele, este é um reflexo da situação crítica em outros lugares do Brasil.

O secretário afirmou que ainda há 21 pacientes internados no estados, de Amazonas, Rondônia e Santa Catarina. Devido à taxa de ocupação atual dos leitos de UTI para covid, foi suspensa a vinda de novos pacientes para o Espírito Santo. 

“Nesta semana alcançamos a taxa de ocupação de leitos hospitalares maior do que aquela observada em 5 de julho do ano passado. Essa ocupação não representa um aumento crítico equivalente ao que vivemos naquele momento, quando tínhamos um tempo médio de permanência na UTI de 8 a 9 dias. Neste momento, os pacientes com a mesma característica clínica estão durando, em média, 12 dias de internação nas UTIs. Esse eumento faça que a mesma quantidade de leitos seja utilizada por menos pacientes ao longo do mês. Por isso, este aumento não corresponde ao mesmo momento crítico que tivemos ao longo da primeira expansão da doença”, disse o secretário.

“Diante de um cenário de não adesão e não coesão social, podemos viver uma situação no Espírito Santo de que não existam leitos para todos”, afirma o secretário, que disse não haver risco de desabastecimento de insumos para tratamento no estado.

Nésio Fernandes explicou que na projeção realizada da expansão para 900 leitos de UTI para abril, ainda não é considerada a quantidade de leitos comprados da rede privada. “Ainda podemos comprar leitos privados numa proporção que foi comprada na primeira expansão da doença em nosso estado”.

No sábado (13), a Secretaria de Estado da Saúde vai publicar uma portaria de recomendação para que todas as cirurgias eletivas não essenciais sejam suspensas na rede privada do Espírito Santo. “A rede precisa garantir o acesso a todos os segurados do plano de Saúde e poder ofertar leitos à rede pública de Saúde. As cirurgias no Estado já foram suspensas e algumas foram mantidas, mas vamos suspender agora também”.

Nésio voltou a reforçar os cuidados que devem ser tomados pela população para evitar o contágio. Ele ainda destacou que muitas pessoas estão buscando testes diretamente nas farmácias e até se automedicando quando há sintomas suspeitos da covid-19 com medicamentos que não produzem efeitos positivos no tratamento. 

Reblin destacou que a curva de crescimento acompanha o que, historicamente, ocorre neste período, quando há um aumento nos casos de doenças respiratórias no Espírito Santo. Agora, serão incluso os casos de covid-19. “Não podemos naturalizar a doença, bater no peito e dizer ‘a mim, ela não causa nenhum dano’. Pode não causar a você, mas pode ser com alguém próximo. Precisamos ter medo da doença”, afirmou.

Sobre as novas variantes, Fernandes disse que não há novas comunicações por parte da Fiocruz, mas reforça o que já foi dito em outras ocasiões: “não temos uma nova doença. Temos variações do mesmo vírus que tem suas formas de transmissão conhecidas e medidas de tratamento já identificadas”