O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, acompanhará em tempo real o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, que começa no próximo dia 2 de setembro no Supremo Tribunal Federal (STF). Fontes ligadas à Casa Branca afirmaram à coluna da jornalista Mariana Sanches (UOL) que existe até uma lista de sanções e tarifas que poderão ser acionadas de acordo com os desdobramentos das sessões.
Segundo apuração, estão em debate medidas como cassação de vistos de autoridades brasileiras, sanções financeiras contra ministros do STF e uma nova rodada de itens excluídos do tarifaço de 50% já imposto contra produtos brasileiros em agosto. A decisão final caberia ao próprio Trump, que recentemente classificou o julgamento como uma “caça às bruxas”.
Apoio direto da família Bolsonaro
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista político Paulo Figueiredo devem viajar a Washington já no segundo dia de julgamento, em 3 de setembro, para relatar diretamente à gestão Trump o andamento do caso. Ambos têm defendido a aplicação de medidas contra o Brasil para pressionar o Congresso a aprovar uma anistia a Bolsonaro e seus aliados.
Até agora, os esforços do grupo resultaram em:
- anúncio da tarifa de 50% contra exportações brasileiras,
- abertura de investigação sobre práticas desleais de comércio,
- restrições de vistos a ministros do STF e do governo Lula,
- aplicação da Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.
Trump e aliados mantêm ofensiva
Aliados de Trump, como o ex-porta-voz e estrategista Jason Miller, têm reforçado críticas ao STF. Miller relembrou ter sido detido no Brasil em 2021 por ordem de Moraes e afirmou que Bolsonaro enfrenta risco de até 35 anos de prisão.
Para estrategistas republicanos ligados ao movimento MAGA (Make America Great Again), apoiar os Bolsonaro é visto como o caminho para ampliar influência nos rumos da política brasileira até 2026.
Governo Lula monitora crise diplomática
O Itamaraty acompanha com preocupação a movimentação em Washington. Segundo um diplomata ouvido pela coluna, o governo brasileiro já trabalha em medidas para mitigar danos nas relações bilaterais. No entanto, admite que, diante da imprevisibilidade de Trump, não é possível prever quais sanções ou tarifas poderão ser efetivamente implementadas.